
Esta é a última carta que te escrevo. Vou partir, para mais uma viagem. E como eu odeio despedias, como eu odeio... Não conheço ao certo o meu destino, será, em principio um espaço diferente do teu, com seres diferentes de ti. Eu nem sabia que existias, ou que existiam pessoas assim. Eu achava que nada era impossivel e agora vejo que nada é possivel, já nem sei no que acreditar. Eu não sei sequer se é a este mundo que pertenço, sinto-me inutil nele, ou pelo menos sinto que se fui util para alguma coisa, deixei de sê-lo. Sinto que já não sou nada, nem ninguém. E, mesmo sabendo que agora tenho novos tesouros para descobrir e partilhar, não tenho interesse em procurá-los ou guardá-los. O mais provavel é que depois me escorram pelas mãos e caiam num espaço infinito como aconteceu contigo, ou, mais provavel ainda, encontrarei tesouros falsos, cheios de ouro roubado capaz de me meter em problemas, como tu o foste e fizeste. Para onde me levaste? Em que baú guardaste tudo o que tiraste de mim? Quero recuperar tudo, quero a auto-estima de volta, quero a confiança, quero a força, quero a vontade, quero acreditar só mais uma vez nas minhas capacidades de conseguir alcançar o topo, de onde me tiraste. Foste tu que me fizeste acreditar na mais falsa e monstruosa coisa do mundo e estou de volta a esta incredibilidade dura, que me tira, mais uma vez tudo. Não seria agora a altura certa para acordar e descobrir que não passaste de um pesadelo que acabou de vez? Que nem existes? Por favor, jura que mesmo que sejas verdade, que desaparecerás do pouco que ainda me pertence. E assim me despeço. Adeus!
P.s. Eu amei-te.
P.s. Eu amei-te.
Fotografia: Museu da Água, Lisboa
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