2 de dezembro de 2010

Água


Sentavas-te nos bancos dos jardins e mexias no meu cabelo. Eu sentia cada onda de cabelo ser tocada com carinho. Mas, se a chuva caía, largavas-me e mandavas-me correr. E como eu odeio correr, tu sabes que detesto! Eu só queria mais uns minutos, poucos segundos, talvez. Sentir a água escorrer pelo cabelo em que tocavas. Adoras o mar, todos o adoram, porque a isso foram habituados. Mas a chuva, a chuva não passa de água que, ao contrário do mar, não é salgada, mas doce. A água do mar é tão fria como a da chuva, talvez mais, mas todos o adoram. A água do mar prende os mais indefesos nas suas ondas, matando-as, e a água da chuva destrói lares de pessoas que poderão refazer as suas vidas. A água do mar é água e a água da chuva é água. Digo-te que ainda prefiro o mar, á chuva, não sou diferente de ninguém. Mas porque é que isso acontece? Por que é que me obrigaste sempre a fugir da chuva e te atiras sempre ao mar?
Fotografia: Fajã de Santo Cristo

Sem comentários: