20 de junho de 2009

Pois foi!




E então dizes-me que posso voar e, agarrada só a memórias, deixo-me ficar em cima da ponte mais alta que encontro enquanto te procuro. Sabes que se me empurrarem não caio e dizes-mo, como se as tuas palavras me fossem deixar mais segura. Continuo agarrada só ao que posso, a ti. Mas nem por um segundo te toco, apenas sinto que me seguras, de alguma forma. Em pouco tempo, o minimo movimento teu, poderá fazer com que me desiquilibre. Tem cuidado. Não me deixes balançar nas incertezas, na dúvida, no medo. Conheces o perigo da dança na corda bamba, se a corda rebentar, caio desta ponte tão alta onde me deixaste. Perguntas-me se sei por quanto tempo cairia, durante anos, talvez. Ou se calhar nem chegava a cair, descia apenas e, passados poucos dias estaria no chão. Mas não quero, gosto da sensação de estar cá em cima, ver tudo sem defeitos, nada parece estar mal. Deixa-me ficar neste equilibrio, de braços abertos a receber tudo o que estar no alto me pode dar. Senta-me se eu me cansar, faz-me dormir pouco tempo e acorda-me, para me poder levantar outra vez. Quando achares que chegou a altura, faz-me voar, mas nunca me deixes cair.
Fotografia: Porto, Ponte D.Luís.

Sem comentários: