
Naquela rua cinzenta, forrada com pedras pesadas e cores tristes, nada havia que fizesse sorrir. Mas naquele dia, uma luz diferente brilhava ao fundo. Segui-a e uma porta branca, no meio de paredes escuras, mostrava um grande jardim. Quis entrar e, sem medo, fi-lo. Percorri aquele jardim de flores de todas as cores, toquei em todas, uma por uma e cheirei-as. Deixei que cada canto desse jardim me ajudasse a despertar cada um dos cinco sentidos. A pouco e pouco, fui-me deixando levar pelo som fluido da água das fontes decorativas de pedra, e deixei que as minhas mãos tocassem nessa água até ficarem geladas. Nesse momento senti que as mãos ficavam frias, e o corpo quente pelo sol e logo ali, sentada naquela fonte, comecei a sentir vários arrepios que sabiam tão bem... Fiquei assim, por vários segundos, mas depressa me cansei. Quis ir mais longe e mergulhei. Sem perceber bem porquê, mas na expectativa de conhecer o que estaria para lá daquela construção em pedra, cheia de repuxos de água. E assim, entrei num novo Mundo. Um Mundo de ondas, de algas e de peixes. De peixes que me lembraram as flores, do jardim, pela sua simplicidade e cores garridas. Nadei por esse pequeno e limpo rio e em pouco tempo, senti a água ficar salgada, deixando o sabor doce para trás. Olhando para baixo, as cores começavam a clarear e, o fundo que antes era escuro e denso, começava a parecer branco e calmo. E eu pensava no quão melhor se iam tornando os cenários, passo a passo. Quando consegui andar, fui caminhando até deixar de sentir a água nos pés e em pouco tempo era-me possível deslumbrar uma grande praia, digna de postal. Segui umas pequenas pegadas enterradas na areia, fui andando, andando, até sentir que a areia tinha ficado para trás, com a praia, e que, novamente, tinha chegado ao jardim das flores coloridas. Estranho ou não, ali estava eu no início, e no final daquela grande viagem, encaminhada por ti e pelas tuas pegadas e sinais, para que pudesse conhecer, finalmente, todo o teu Mundo repleto de sentimento, onde aprendi a sorrir.
Fotografia: Jardim Botânico do Porto
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