20 de setembro de 2012

Culpas

 
Não fui eu, disso tenho a certeza. Nem tu, posso garantir. O espaço, cada dia, cada momento, cada cigarro deitado ao chão e cada café despejado no lixo, esses sim, foram os culpados. E agora diz-me: para fugir, como faço? Ensinaste-me tanta coisa... Ensinaste-me a fechar os olhos, quando os queria bem abertos. Ensinaste-me a não me importar, quando a minha cabeça estava às voltas. Ensinaste-me a rir, quando os meus olhos já estavam húmidos. Mas quero que me ensines a fugir. Quero, quero mesmo, acredites ou não... E sempre (é sempre, constantemente, até irrita) que dou o primeiro passo, puxas-me para trás. Agarras-me e eu fico. Vejo o comboio a partir e nunca, nunca corro atrás. Quantos comboios já eu vi partir, agarrada a esses momentos que me dás, sem sequer me mexer. Porque é que fazes com que tudo pare? A vida pára. E tu? Tu devias parar, agora! Mas continuas... E eu deixo-me levar.

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