1 de dezembro de 2009

Histórias


E ficámos por aqui, a olhar para o irreal, para o sonho transformado em pesadelo. Fiquei com a sensação de haver um espaço só meu, finalmente, talvez. Fiquei com tudo guardado em mim, cada letra, cada palavra, cada número de página do livro de capa castanha. Mas de que vale guardar o que achei ser bom se já nao tenho com quem partilhar tudo? Qual seria a vantagem de ter que partilhar uma história com mais alguém, sabendo que depois não teria mais um chão, um tecto ou uma prateleira para me proteger? E os segredos? Terão sido realmente segredos apenas escritos em letras diferentes para só entender quem pudesse? Ou foram mais histórias? Histórias com finais iventados por quem quisesse iventá-los. Só me custa saber que o iventado nem sempre é feliz e o final desta história nao foi feliz, não houve as flores atiradas, não houve os vestidos longos nem as fotografias do album grande. Não houve nada, apenas o romance de dois volumes. Um conto bonito, certamente. Todas as noites lia-o, antes de dormir e depois sonhava com os próximos capitulos. E quando acordava, agarrava com força o livro nos braços e viajava com ele, imaginando o que mais escreveria nele, até chegar de novo a noite e eu ler tudo de novo. Gostava de lê-lo, gostava mais ainda de ter mais e mais para escrever nele, mas virei a página no momento mais emocionante e ele acabou, a página seguinte dizia apenas "Fim" e estava sem espaço para mais, encheu.

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